fluxo de consciência II

eu tava aqui pensando que tem uma parada bem bizarra acontecendo por aí. é mais ou menos assim: você não vai mais ter direito de ser você. mais ou menos isso. agora você precisa ouvir um babaca te falando que você não pode beijar sua mina, não. que vai ter que passar pó de arroz porque sua cara tá da cor tá errada. que vai ter que se readequar, oras. oras é o cacete. readequar minhas bolas. e olha que nem bola eu tenho. eu não cheguei nem a me adequar. isso aqui já tá errado há tempo o bastante pra todo mundo concordar que precisava fazer alguma coisa. mas a ideia era melhorar. m e l h o r a r. enfiar no meu cu um cano de pvc de 30cm de diâmetro não era uma opção plausível. nem sei qual seria. essa, com certeza, não. aí, depois desse papelão de readequação, vêm falar de esforço. quer mais esforço? duazora pra chegar no trabalho, duazora pra chegar em casa, um vale refeição abaixo do esperado e uma carga trabalhista compatível com o mercado (o que não quer dizer que é pouco). um monte de conta pra pagar. sexo só quando dá. a única coisa que eu tenho que faz bem é um amor pra chamar de meu. e olha que eu achei que não ia ter, ein. que ia continuar empilhando corpos nus na sombra do meu colchão. mas, olha só, aparentemente eu queria um só. o corpo inteirinho dela, todo pra mim, com aqueles olhos lindos que, hoje, sempre me dizem alguma coisa. antes não diziam, não. antes os olhos dela só me assustavam. morria de medo de apanhar daquela mina, irmão. hoje eu só torço pra ela não ir embora. pra ela continuar me olhando. isso é o que eu tenho. o jeito que ela me olha. o beijo que ela me dá. ninguém deve ter recebido aquele beijo. eu jamais deixaria ir embora alguém que me beija do jeito que ela me beija. eu jamais vou deixá-la ir embora. ela é o que eu tenho. ela é minha sorte. todo resto me tira o prumo. eu perco a classe. e tem tanta babaquice espalhada. é a própria pauliceia desvairada. bem como autodeclarada, inutilíssima. a diferença é que a pauliceia de mario de 1922 servia como poesia que só tem a si mesma como a razão de ser. esses mandamentos excludentes não têm razão alguma de ser ou existir. a não ser o fomento da ignorância. da grosseria. da falta de educação. da proteção dos que nem fracos, nem oprimidos são. dos que só merecem da vida o foda-se e um copo d’água. só faltou falar que cazuza tava errado e que o banheiro não é a igreja de todos os bêbados. daí não ia dar. eu ia ser obrigada a tomar um porre. e dar na cara dele. e lembrar, sorrindo, que o banheiro é a igreja de todos os bêbados. incontestável. negar seria reprodução falaciosa. deve ser crime. é? alguém sabe?

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