coisa de deus

quarta de cinzas não é dia pra nada importante acontecer. carnaval não é feriado pra mudar script. copo não é feito pra dividir. pizza não devia ser de berinjela. ninguém deveria ser intolerante à lactose. o primeiro café da manhã não deveria ser tomado sem fumar um cigarro. e não deveria ser permitido gastar calorias antes do café. mas algo importante aconteceu. e eu mudei o script. e dividi o copo. e a pizza era de berinjela. e eu não posso comer queijo. e eu prefiro te beijar a fumar esse cigarro. gosto de gastar calorias. beijo todas as suas pintas. e, olha lá, acenderam o sol. e, com o sol aceso, eu te falei que poderia escrever um texto inteiro sobre seu beijo com gosto de café. você deve ter achado fofo, mas que era só exagero como quase tudo que eu falo e faço. que tinha passado do limite e que, no máximo, uns dois ou três tweets seriam suficientes. mas você não sabe de nada quando se trata do tanto que eu gosto do seu beijo. e de café. e aí você juntou as duas coisas e, enquanto tem mais um café sendo coado, eu tô aqui sentada com esse caderno na mão (eu sou old school, você sabe) só pra te dizer que gosto muito de cerveja. e de ouvir música na rua. e de cantar alto tudo que tá preso no peito. mas que tudo isso ganha muito mais graça quando você tá perto. e que fica ainda melhor quando eu sei que na manhã seguinte você vai estar com preguiça deitada no meu peito. e que a gente vai se divertir olhando o sol que acenderam e agora invadiu as frestas da janela. eu não sei quem acende o sol pela manhã, mas sempre vou agradecer por conseguir te ver melhor. eu não sei quem inventou o café: deve ter sido deus, porque só alguém que ninguém viu pra fazer algo tão bom assim. e eu tenho certeza que também foi ele que pegou uma caneta pra desenhar sua boca. ele deve terceirizar algumas criações pra meia dúzia de anjos estagiários que devem usar camisa polo no céu. mas você, eu aposto, ele fez à mão. ele mesmo definiu o formato das pintinhas que você tem pelo corpo. e a textura da sua pele. e o cheiro do seu pescoço. e o beijo que você me dá e o tempo que você fica parada na minha frente sem me beijar bem de pertinho e eu consigo sentir sua respiração, calma, e seu toque, manso. foi deus que fez, eu tenho certeza. e depois de fazer o café e você e o jeito que você me beija, ele te enfiou na minha vida pra eu conseguir respirar fundo de manhã. e é tão bom quando eu respiro fundo e é você deitada no meu peito que sente que eu tô com taquicardia. como se eu não tivesse notado. como se eu não percebesse. como se eu não ficasse assim o tempo inteiro perto de você. foi deus. só pode ter sido.

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