tomar cerveja em são paulo e outros caminhos sem volta

eu nunca perco uma oportunidade de tomar cerveja na rua em são paulo. geralmente, me deparo com situações maravilhosas que fazem valer a pena quaisquer cochilos dados no metrô na volta pra casa. já conheci gente incrível em fumódromos diversos. já acabei em lugares diferentes com pessoas que eu jamais imaginei conhecer. já respirei o ar podre do baixo augusta (alguém ainda fala isso?) e o ar tarifado da oscar freire na mesma noite. já me meti a ficar zanzando pelo centro de são paulo pra ver “onde isso dá”. lugar nenhum, se querem saber. na roosevelt, geralmente. se bem ou mal acompanhada, deixo no ar. era de se esperar.

andar por são paulo é uma aventura doida. quem se atreve a sair do trecho baladas-na-augusta-ou-vila-madalena-ou-pinheiros consegue encontrar de tudo. sobretudo, gente. num mesmo final de semana, encontrei andando sem pressa por essa cidade um casal de amigos, uma menina que conheci em 2008 (quando ainda fazíamos fakes no orkut e vivíamos vidas baseadas em ações precedidas por um asterisco), um cara ótimo que eu não via há algum tempo e uma amiga que fazia um ano que não aparecia nem numa janela do whatsapp. fui da zona norte à sul, passei pelo centro e me enfiei na zona oeste em alguma parte do final de semana que, se você me perguntar agora, não vou saber te dizer qual.

tem que ter muita coragem pra viver em são paulo: é tanta coisa pra explorar que você sempre vai acabar encontrando alguém. ou alguma coisa. ou alguém meio coisa. ou uma coisa meio gente, que vai te fazer pensar em algo e te dar um estalo e você vai ter a epifania necessária pra fazer o dia inteiro diferente. e aí você vai pra um lugar que nunca imaginou, numa travessa de uma avenida que nem sabia que existia (mas tem doze bares, um copo sujo e duas baladas) e encontrar um cara que você não vê desde o casamento de 2014. nessa altura, já se divorciou e casou com outra. ou outro.

caminhar por esse buraco te leva a encontrar amores mil e perdê-los todos por entre os dedos, sem dar tempo nem de segurá-los. cê sente tanto gosto que já nem sabe mais o seu. e depois decora tanto o seu que não consegue mais se afeiçoar por gosto nenhum. cê conhece tanta gente nova que sente que tava perdendo tempo de vida e aprende a sorrir pra todo mundo que aparece, porque provavelmente o novo vem acompanhado de uma ótima história. quem vive por aqui aprende a ouvir histórias como ninguém e a construir as suas próprias usando mão-de-obra independente.

se um dia você acabar na zona norte, depois de uma festa que acontecia na zona oeste, pra onde você foi depois de um esquenta na zona sul, pare num boteco qualquer e peça uma cerveja. conhecer são paulo é tão longe de conhecer os lugares-de-sempre que posso te dizer que o maior ponto turístico é o metrô, que te leva pra todo canto. a cidade inteira é uma coisa louca, as regras não existem e não tem ninguém capaz de sair imune a esse caos. ainda mais se for são paulo de verdade, com copo sujo, um certo grau de dificuldade de acesso e um monte de moradores bairristas que nunca vão aprender a deixar a esquerda livre.

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