7×1

milagre ninguém faz. reza braba tem uma porção. garrafa de vinho, de cerveja e de cachaça nunca faltam. nem faltarão, amém. há quem diga que deus proverá – eu não duvido! mas, se a resposta tá no céu, eu vou buscar. nem que seja apé.

problema aparece pra gente resolver: tapa na cara é pra endireitar o rosto, soco na fuça estala o pescoço e pé na bunda te leva em frente. se tudo vem forte e ao mesmo tempo, a gente senta. e aproveita que vinho, cerveja e cachaça nunca faltam. aproveita que tem lugar pra sentar e abre mais uma. aproveita que tem vida pra viver e ri mais alto. aproveita que a arte existe e ouve um som. bom, de preferência. aproveita que a bunda existe e rebola. sozinha, se for o caso.

aproveita que o tempo tá ameno pra usar um moletom confortável. aproveita que a meia feia tá lavada pra vestir e andar sem sapato. aproveita que a pia tá limpa pra não se estressar com isso. aproveita que a pia tá suja pra deixar mais um copo. aproveita o copo limpo pra encher de uísque. aproveita o copo sujo pra empilhar no outro que tá na pia e encaixar certinho, como se tivessem sido feitos pra isso.

se tá uma loucura, a gente aproveita. a gente aproveita o caos pra mandar o mundo a merda. levanta da mesa e vai embora antes do horário; senta na mesa e fica até depois, abre a terceira garrafa de vinho e conta mais uma história. aproveita pra ouvir sobre as mulheres maravilhosas da vida de quem for e as mulheres frouxíssimas de outra vida que perambula por aí e ainda bem que cruzou com a sua. a gente aproveita o clima frio pra dar um beijo quente, aproveita o abraço apertado pra se esconder do vento, aproveita a vista bonita pra se inspirar sem ver passar o tempo.

e se aparece uma pedra no sapato a gente para e tira, se aparece um murro fora de hora a gente abaixa e desvia, se aparece um 7×1 a gente grita gol e se aparece um garçom a gente pede pra descer mais uma.

se a vida quebra em dois, a gente não costura: vai duas vezes mais forte pra briga e deixa o adversário tontinho. a gente usa o melhor de cada metade e pede mais uma pra brindar.

se a vida deixa sozinho, a gente olha pro céu e aproveita pra cantar. sem ter ninguém pra falar, ninguém vai reclamar. a gente aproveita pra ouvir música brega e cortar um pouco mais o cabelo. a gente sacode a poeira e deixa ela baixar.

se a vida mete o pé, a gente chega na voadora. porque eu prometi um dia e vou cumprir todos os outros: se quiser me foder, vai ter que se preparar, porque eu não vivi tudo o que vivi pra desistir por nada mais ou menos. pode vir, mas vem de jeito. porque eu até perco a partida, mas o palanque é meu. e vou dançar até chegar o que for que eu tiver que enfrentar.

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